Padre Fábio de Melo e a síndrome do pânico

Dom Anuar Battisti Arcebispo de Maringá (PR)

21 de Setembro de 2017

 

Cuidar-se significa levar-se em conta, escutar as próprias necessidades e compreender que temos direito de nos sentir bem. É entender e reconhecer nossa existência, sabendo que merecemos nosso amor e nossa compaixão além de todos os preconceitos, castigos e cobranças que impomos a nós mesmos.

 

Estamos cuidado de nós quando evitamos o que nos produz mal-estar: quando nos afastamos de certas pessoas que nos prejudicam, quando impomos limites em relação ao que queremos e não queremos fazer, e quando nos damos a oportunidade de tomar decisões por nós mesmos. “Não se cuidar é uma forma de autoagressão sutil ou manifesta. Às vezes, como em um estado depressivo, a pessoa está sem energia para ela mesma, e em outros problemas o sujeito reverte sua energia contra si mesmo, aumentando por sua vez a culpa e a autodepreciação” (Fina Sanz).

 

Diante da revelação pública que o padre Fábio de Melo fez nos meios de comunicação, de que estaria sofrendo de “Síndrome do Pânico”, despertou em muita gente um lado obscuro da vida, visto com muito preconceito e desconhecimento, muitas vezes. Agora podemos falar, pois “até o padre Fábio” falou. Com certeza ele foi muito corajoso e fez muita gente encarar a situação pessoal de forma mais real, sem criar falsos temores. Neste sentido, despertou o valor do cuidado que todos devemos ter. Cuidar-se para poder cuidar. Só damos aquilo que temos e se não temos tempo para nos abastecer, reconstruir diariamente a própria vida, estaremos todos fadados a cair, em qualquer “síndrome”, ou qualquer tipo de doença física ou psicológica.

 

Não temos outra saída a não ser aprender com o Mestre, que há mais de dois mil anos deixou-nos o exemplo. Quantas vezes, Jesus, depois de atender a multidão, fazer milagres, fazer discursos, instruir os discípulos, deixava tudo e ia para a montanha rezar, passar a noite toda em oração. Na calada da noite, na escuridão silenciosa das montanhas, o Senhor, ali entrava em comunhão com o Pai Deus, e tudo era iluminado, para recomeçar tudo de novo, no outro dia. O homem moderno ocupou o lugar de Deus. A auto suficiência faz do ser humano um semi deus.

 

Não só na vida dos padres e bispos, mas de todos os leigos, é urgente a dinâmica do equilíbrio. Qualquer ser, qualquer coisa, se perder o equilíbrio cai, e caindo se quebra, se destrói ou fica machucado por muito tempo. Fomos feitos para não cair, reconstruindo-nos a cada dia, não deixando a vida fazer de nós o que ela quer, e sim o que nós queremos fazer com a nossa vida. Nunca diga “não tenho tempo, de descansar, de meditar, de encontrar os outros, com a gente mesmo, de buscar ser útil, de solidarizar-se com o outro, de ganhar o pão com o suor do próprio rosto, de sorrir e abraçar, de chorar e carregar a cruz de cada dia”. Nunca diga “não tenho tempo para cuidar-se”. A vida é tão curta, tudo passa tão rápido, a felicidade custa muito pouco, só um pouco de amor, para poder amar o próximo como a si mesmo.

 

Nunca deixe para depois o tempo que você precisa para viver bem, reconstruindo-se a cada momento. Deixe de lado a onipotência, a vaidade de super homem ou super mulher e se vista de humildade sincera, reconstruindo-se sempre. A pior agressão não vem de fora, e sim do próprio coração, que não tem tempo para cuidar-se. Tire um tempo todos os dias para silenciar a tua alma e a tua inteligência e orar e tudo terá sabor de felicidade, até mesmo as cruzes que carregamos.

 

Fonte: http://cnbb.net.br

 

 

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