Representante do Fórum de Mudanças Climáticas defende agroecologia contra desertificação

06 de Outubro de 2017

 

O representante do Fórum de Mundas Climáticas e Mudanças Climáticas, que articula pastorais e movimentos sociais, Ivo Poleto, participou recentemente da 16ª Jornada de Agroecologia “Keno Vive”, realizada em Lapa (PR). Após afirmar que o Brasil já conta com um novo bioma, o “deserto”, maior do que o estado do Ceará dentro do bioma Caatinga, e que a desertificação avança até o Rio Grande do Sul, ouviu de um assentado da reforma agrária que é possível recuperar áreas desertificadas.

 

O assentado falou da experiência que ajudou a conquistar, que estava em franco processo de desertificação, fruto do mau trato e exploração do proprietário anterior. Em poucos anos, segundo o agricultor, essa terra está viva, gerando alimentos ecologicamente cultivados. “Basta dar carinho à ela, que a vida volta. Volta a cobertura vegetal, a fertilidade do solo, as nascentes de água”, disse.

 

Na 16ª Jornada de Agroecologia, segundo Ivo Poleto, foram denunciadas as práticas que provocam o aquecimento do Planeta e o agravamento dos desastres socioambientais por causa dos eventos climáticos cada vez mais extremos, no campo e nas cidades. Houve, principalmente, a denúncia muito concreta dos que desejam reduzir o tamanho da Escarpa Devoniana, que deve ser chamada Escarpa dos Campos Gerais do Paraná. Ivo lembra que a Escarpa é uma das poucas áreas de preservação do Paraná, estado dominado pelo agronegócio, e agora, sempre famélicos de mais terra, mais riqueza e mais poder, esses senhores querem também as terras dessa reserva.

 

O membro do Fórum de Mudanças Climáticas disse que tanto os sem-terra como os camponeses assentados insistiram que precisamos ter esperança, e a base de sua esperança é a transformação da agricultura que estão ajudando a realizar. “Eles e todos os participantes da Jornada são testemunhas e agentes dessa transformação. É possível recuperar a vitalidade da Terra, replantar florestas, recuperar nascentes, produzir alimentos sem produtos químicos e venenos. E claro, é possível insistir na organização das pessoas que desejam construir essa transformação”, disse.

 

 

Ivo lança a pergunta: “O que podemos fazer?”. Na sequência, a resposta veio de sua análise: “apoiar a agroecologia, claro. Apoiar a luta para que esta tecnologia de produção de alimentos seja apoiada por políticas e recursos públicos. Apoiar a luta pela preservação da Escarpa dos Campos Gerais do Paraná. Apoiar tudo que cuida da Terra com amor”.


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Fonte: http://cnbb.net.br

 

 

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