Colaboração é chave para proteger menores na internet, diz Papa

Papa recebeu participantes do Congresso Internacional "A dignidade do menor no mundo digital.

08 de Outubro de 2017

 

“Trabalhar juntos para ter sempre o direito, a coragem e alegria de olhar nos olhos as crianças do mundo.” Esta foi a exortação do Papa Francisco aos participantes do Congresso Internacional “A dignidade do menor no mundo digital”, recebidos em audiência nesta sexta-feira, 6, no Vaticano.

 

Em seu longo discurso, o Pontífice definiu a vulnerabilidade dos menores na rede como um “problema novo e gravíssimo, característico do nosso tempo”.

 

De fato, observou o Papa, “vivemos num novo mundo, que quando éramos jovens não podíamos nem mesmo imaginar”. O mundo digital é fruto do progresso da ciência e da técnica que transformou em poucas décadas a vida do homem e seu modo de se comunicar e está transformando inclusive seu modo de pensar e de ser.

 

“De um lado, vivemos esta transformação com admiração e fascínio e, de outro, com medo e temor pelas consequências. Sentimentos contrastantes que nos levam a questionar se somos capazes de guiar os processos que nós mesmos criamos ou se estamos perdendo o controle”, destacou o Papa. Para o Pontífice, esta é a pergunta existencial da humanidade de hoje diante dos diversos aspectos da crise global.

 

Francisco citou também alguns dados: dos mais de três bilhões de usuários da internet, mais de 800 milhões são menores. “O que encontram na rede? E como são considerados por quem pode administrá-la? Não entendemos nesses anos que esconder a realidade dos abusos sexuais é um gravíssimo erro e fonte de muitos males?”, questionou.

 

Por isso, o Papa destacou que é preciso manter os olhos bem abertos e enfrentar o aspecto obscuro da rede, que se tornou um lugar propício para os seguintes crimes: pornografia, bullying, tráfico online de pessoas, prostituição, transmissão ao vivo de estupros e novos fenômenos como “sexting” (divulgação de conteúdos eróticos e sensuais através de celulares) e “sextortion” (extorquir através da exploração sexual sem coerção física).

 

Diante desses fatos, as pessoas permanecem certamente horrorizadas, mas também desorientadas. E a isso, se acrescenta o difícil diálogo entre a antiga e a nova geração digital.

 

Três erros de perspectiva


As palavras de Francisco são, portanto, de encorajamento e de mobilização conjunta. E para que seja eficaz, o Papa convida a combater três possíveis erros de perspectiva.

 

O primeiro é não subestimar o dano que esses crimes provocam nos menores e inclusive nos próprios adultos. “Seria uma grave ilusão pensar que uma sociedade em que o consumo aberrante do sexo se expande entre os adultos seja depois capaz de proteger de modo eficaz os menores.”

 

O segundo erro é pensar que as soluções técnicas automáticas, como os filtros do computador para identificar e bloquear a difusão de imagens, sejam suficientes para combater o problema. “Certamente essas soluções são necessárias, mas também é necessário a força da exigência ética.”

 

O terceiro erro é pensar a rede como o reino da liberdade sem limites, quando – na verdade – também necessita ser gerida por leis, com a colaboração de governos e da polícia. Francisco manifesta seu apoio à Declaração redigida pelos participantes do Congresso e pede a colaboração também das lideranças religiosas, garantindo a disponibilidade e o empenho dos católicos.

 

Neste ponto, o Pontífice afirma que a Igreja Católica se tornou sempre mais consciente nos últimos anos do fato de não ter protegido suficientemente os menores dentro de suas instituições: “Vieram à luz fatos gravíssimos dos quais tivemos que reconhecer as responsabilidades diante de Deus, das vítimas e da opinião pública. Justamente por isso, a Igreja sente hoje um dever particularmente grave de se empenhar de modo sempre mais profundo para proteção dos menores e de sua dignidade”.

 

O olhar de uma criança


O Papa concluiu falando de quando os seus olhos cruzam o olhar de inúmeras crianças em suas audiências e viagens:

 

“Ser visto pelos olhos das crianças é um experiência que todos conhecemos e que nos toca profundamente no coração, e que nos obriga também a um exame de consciência. O que nós fazemos para que essas crianças possam nos olhar sorrindo? O que fazemos para que esses olhos não sejam corrompidos por aquilo que encontrarão na rede? Trabalhemos portanto para ter sempre o direito, a coragem e a alegria de olhar nos olhos as crianças do mundo.”

 

 

Fonte: http://www.domtotal.com

 

 

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