“Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus” (Lc 6, 20)

16 de Novembro de 2017

 

Dom Edney Gouvêa Mattoso
Bispo de Nova Friburgo (RJ)


Queridos amigos, vivemos em um tempo de grande contradição aos conselhos evangélicos. A todo instante somos agredidos com notícias de corrupção e de abusos na administração pública. O Brasil é um país no qual a pobreza extrema voltou a crescer em contraposição às enormes cifras desviadas pelos esquemas fraudulentos e salários exorbitantes que poucos recebem.

 

É muito oportuno, portanto, a celebração do Dia Mundial do Pobre, que o Papa Francisco instituiu para o dia 19 de novembro. Este terá como objetivo um convite à reflexão de uma realidade profundamente enraizada no mundo, na história da fé e que sempre bate à nossa porta levando-nos aos mais elevados sentimentos de caridade e esperança. Assim, é de suma importância que além de traçarmos estratégias de assistência aos mais carenciados, criemos uma nova visão de vida e sociedade.

 

Não se pode negar que a origem e o avanço da pobreza estão relacionados às lógicas perversas do poder e do dinheiro. “Em nossos dias sobressai cada vez mais a riqueza descarada que se acumula nas mãos de poucos privilegiados, frequentemente acompanhada pela ilegalidade e a exploração ofensiva da dignidade humana” (Papa Francisco, mensagem para o I Dia Mundial dos Pobres).

 

Nos Evangelhos encontramos a compaixão de Jesus pelos mais pobres. Este exemplo faz com que a Igreja se comprometa com a opção preferencial por esses irmãos, cuidando de suas necessidades e defendendo o bem comum e a dignidade da pessoa humana, desde seus primeiros instantes até o seu fim natural. Recordemos que a promessa do Reino dos Céus é reservada aos pobres em espírito (cfr. Mt 5,3). Pobreza esta que implica na humildade de coração, no acolhimento da condição limitada e pecadora de todo homem e na compaixão, que renuncia pensar somente em si e se solidariza com todos.

 

Precisamos combater a discriminação, que fere de morte os mais pobres, e anunciar a verdade de Cristo, pois, com a ajuda de Deus, a transformação social em nosso país é possível!

 

Termino com uma urgente reflexão do Papa Francisco: “As reivindicações sociais, que têm a ver com a distribuição dos rendimentos, a inclusão social dos pobres e os direitos humanos não podem ser sufocados com o pretexto de construir um consenso de escritório ou uma paz efêmera para uma minoria feliz. A dignidade da pessoa humana e o bem comum estão por cima da tranquilidade de alguns que não querem renunciar aos seus privilégios. Quando estes valores são afetados, é necessária uma voz profética” (EG, 218).

 

 

Fonte: www.cnbb.com.br

 

 

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