O valor da comunidade: a urgência da educação para o coletivo

Numa sociedade cada vez mais fragmentada, na qual percebemos o crescimento alarmante do individualismo, precisamos resgatar o senso comunitário.

05 de Maio de 2018

 

Por Felipe Magalhães Francisco*


Escreveu John Donne, autor do poema Por quem os sinos dobram?: “Nenhum homem é uma ilha, completa em si mesma; todo homem é um pedaço de continente, uma parte da terra firme”. Fazemos a humanidade! Nascemos para a relação e, sozinhos, não podemos nos realizar humanamente. Desde muito cedo o ser humano aprendeu a importância do coletivo: para além da sobrevivência, motivo urgente que nos faz ser sociáveis, fazemos cultura, criando possibilidades dignas de que desenvolvamos, quanto mais, nosso ser pessoa.

 

As comunidades fazem parte do nosso cotidiano. O entendimento que vamos tendo, ao longo do tempo e das circunstâncias, a respeito do significado de comunidade, vai se transformando, mas, inevitavelmente, relacionamo-nos, em diferentes possibilidades de ambiência. Família, escola, trabalho, igreja, templos, terreiros, centros... A Internet criou novas possibilidades de se formarem comunidades. Fala-se, muito, em comunidade global, ainda que esta seja apenas uma utopia.

 

Numa sociedade cada vez mais fragmentada, na qual percebemos o crescimento alarmante do individualismo, com graves e preocupantes consequências, precisamos resgatar o senso comunitário que nos trouxe ao estágio em que nos encontramos, ao longo de milhares e milhares de anos de evolução. A educação para o senso de comunidade e de corresponsabilidade precisa ser assumida como urgência permanente. Saindo das ilhas que, ilusoriamente criamos para nós mesmos, podemos conceber novas maneiras de viver no mundo, criando teias de solidariedade e de fraternidade.

 

Ampliando a conversa


No texto Algumas ideias simples sobre o “ser relação”, Vitor Fernandes reflete, numa perspectiva filosófica, as influências do espírito do consumo industrial capitalista na maneira como temos estabelecido relações e, ainda, o perigo da perda da sensibilidade para a sociabilidade. Como perspectiva, aponta para a importância de trazermos o conceito próprio da ecologia, a sustentabilidade, como possibilidade de nortear nossas relações humanas.

 

Edward Guimarães, no artigo A família e a vida em comunidade: o ser humano como ser em construção, reflete a partir do núcleo mais fundamental da sociedade, a família, na qual somos educados e, permanentemente, capacitados para a vida em comunidade. Nesse sentido, o cuidado para com a infância se faz fundamental e urgente. Cuidar da família, nos seus mais distintos arranjos, é, em última instância, cuidar do indivíduo e, com ele, da sociedade.

 

Por fim, ampliando a reflexão numa perspectiva religiosa, César Thiago Alves propõe o artigo: Religião e superação do individualismo: do ópio à libertação. A religião exerce, sem dúvidas, forte influência de cunho determinante na vida das pessoas, seja positivamente, sejam negativamente. A partir da crítica marxista à religião, como ópio do povo, nosso autor propõe uma leitura de como a religião pode – e deve! – ser um serviço à libertação.

 

 Boa leitura!

 

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

 

 

Fonte: http://www.domtotal.com

 

 

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