“Ser um bispo que vai numa pequena comunidade e depois fala na catedral aquilo que esta comunidade rural entendeu sobre o Evangelho” Entrevista com o Padre Norberto Foester, bispo eleito de Ji-Paraná Por Luis Miguel Modino

05 de Janeiro de 2021

 

Depois de 33 anos no Brasil, onde chegou ainda sendo seminarista, o padre Norberto Foester, missionário do Verbo Divino, nascido na Alemanha, acaba de ser nomeado pelo Papa Francisco bispo de Ji-Paraná, no estado de Rondônia. Ele vê sua nova missão episcopal como continuidade de uma caminhada, onde assumiu diferentes serviços na sua congregação, em dioceses do estado de São Paulo e na diocese de Humaitá, no estado de Amazonas.

 

Ele quer viver seu novo ministério no meio do povo, acompanhando a vida das comunidades, fazendo realidade “uma Igreja de Francisco, pobre, samaritana, misericordiosa, missionária, no meio do povo que a gente tem”. Por isso destaca a importância de escutar o povo mais simples, que muitas vezes são os que melhor entendem o Evangelho.

 

O novo bispo sabe da importância e das ameaças da Amazônia, sobretudo o garimpo, o desmatamento, o agronegócio e os agrotóxicos, sinais “de um capitalismo insaciável, que simplesmente vem para destruir”, a vida dos povos da Amazônia e a casa comum. Aí se torna importante o compromisso da Igreja na defesa desses povos, uma missão eclesial onde destaca a necessidade de “reforçar o protagonismo leigo”, e com eles pensar juntos o caminho a seguir, em espírito sinodal, ouvindo as pessoas, que cada vez precisam mais ser ouvidas. É com elas que ele quer aprender, “ser um bispo que vai numa pequena comunidade, talvez agora mais de agricultores, e depois fala na catedral aquilo que esta pequena comunidade rural entendeu sobre o Evangelho”.

 

O senhor nasceu na Alemanha, mas já tem mais de meia vida morando no Brasil. O que ainda conserva da sua condição de alemão e o que foi assimilando da vida e cultura do povo e da Igreja brasileira?

 

Isso é difícil dizer, o que eu conservo da minha cultura alemã. Eu cheguei aqui em outubro de 1987, eu ainda era seminarista. Com a comida, eu não tive problema nenhum, porque na Alemanha, a mãe fazia todo dia batata em água salgada, e outras coisas, e aqui, o arroz e feijão, para mim, era muito bom. Com a cultura também, eu acho que deu para a gente logo se inculturar.

 

Da Alemanha, o que a gente guarda são as amizades, que são amizades muito fieis, eu lembro que eu tinha uns dezoito, vinte anos, tínhamos um pequeno grupo de oração, de jovens, e quando eu vou para Alemanha, a gente se encontra até hoje, foi algo que nos marcou, e essas amizades, com vivências profundas, talvez fazem parte da cultura da Alemanha, e isso a gente conserva até hoje. Mas ao longo dos anos, a gente ganhou amigos aqui no Brasil também.

 

No fundo, já na Alemanha, eu achei o caminho da Igreja no Brasil, e o jeito de ser Igreja, bem mais interessante do que o jeito da Igreja na Alemanha. A gente já lia os livros do Leonardo Boff, do Clodovis Boff, e de outros, do Gustavo Gutierrez, e ficou fascinado com esta Igreja. De maneira, que ante de vir para o Brasil quando eu concluí a minha formatura, eu já vim só para saber no fundo se a Igreja no Brasil era isso que estava escrito nos livros. De fato, não era, mas o jeito como era, eu achei muito bonito também. Isso me motivou depois para entrar na congregação e vir para cá.

 

O senhor chegou como seminarista no Brasil a acaba de ser nomeado bispo, tem feito um percurso como seminarista, como padre e agora enfrenta uma nova caminhada como bispo. O que significa esta nomeação?


No fundo é uma continuidade. Eu já tinha terminado a teologia na Alemanha, deu este pequeno desajuste de tempo, porque na Alemanha, duas vezes quase fui convidado a sair da congregação. Eu vim para uma experiência missionária que se transformou em destino de missão. Era justamente talvez também, entre a Igreja na Alemanha, nosso seminário lá, e a Igreja aqui no Brasil, o estilo que talvez lá não se aceitava muito. Eu comecei a trabalhar na periferia, na Zona Leste, na São Marcos, naquele triângulo São Paulo, Mauá, Santo André, naquele tempo um bairro de metalúrgicos, de certa maneira bairro dormitório, eles trabalhavam mais nas grandes empresas automobilísticas em São Bernardo, etecetera.

 

Várias comunidades tinham nomes de mártires do povo, Santo Dias, o padre Antônio Merloth, que era um missionário Verbita, que morreu num acidente de moto, não foi atendido porque não tinha carteira, nem um plano de saúde, foi colocado dentro da sala de limpeza do que seria hoje uma UBS e morreu praticamente lá, o frei Tito. Estas comunidades que tem nomes de mártires, que hoje já foram renomeadas, isso já fazia parte da caminhada da gente, e a esta Igreja, no fundo, a gente quis ser fiel.

 

Eu lembrei nesses dias ainda, eu fui ordenado pelo bispo verbita, Dom José Aparecido Dias, que era naquele tempo bispo de Registro e depois foi transferido para Roraima. Eu lembro que no dia da minha ordenação, na homilia dele, ele falou aquilo que pescadores de Cananeia tinham comentado com ele no círculo bíblico no domingo anterior. Quando ouvi isso, eu já sonhei, eu gostaria de ser como padre um bom pastor, como este que realmente escuta o que o povo diz e acompanha seu povo com simplicidade e humildade. Quando chegou o convite, no fundo pensei em ser este tipo de bispo, ou para ser bispo como Dom Antônio Possamai, que foi bispo lá em Ji-Paraná para onde eu fui nomeado, um bispo que caminha realmente junto com o povo, que tenta tudo para organizar o povo em comunidades.

 

Isso pode ser chamado de Deus, e isso eu quero realmente, nesta caminhada eu quero entrar. Eu liguei lá para a diocese de Ji-Paraná, e eu não sei realmente quantas paróquias tem, mas o administrador diocesano me disse que lá tem mil cento e tantas comunidades na diocese. A gente espera poder caminhar com esse povo e lá no meio deles poder ser um bom pastor. Da maneira que Francisco fala, o bom pastor as vezes caminha na frente, as vezes caminha no meio e as vezes caminha atrás, levando a ovelha mais enfraquecida, mais vulnerável, acompanhando ela. É um pouco esse sonho, de uma Igreja de Francisco, pobre, samaritana, misericordiosa, missionária, no meio do povo que a gente tem.

 

Isso eu não vejo uma ruptura, eu vejo uma continuidade. Eu sei que muita gente entende o chamado para ser bispo como uma promoção na carreira, mas eu acho que não é isso, é uma outra maneira de tentar se colocar, junto com o Povo de Deus, ao serviço do Reino de Deus.

 

O senhor tem trabalhado durante toda sua missão como padre no Brasil com o povo da periferia, também na Amazônia, onde acompanhou as comunidades ribeirinhas, indígenas. Quais os sinais do Evangelho que o senhor tem descoberto na caminhada, na vida pastoral com esse povo?


Sentia, vivia, na convivência, nas casas e nas celebrações, que Deus realmente está presente no meio do povo, tanto aqui nas comunidades e bairros operários, no início, como depois em Registro, foi assim também. Naquele tempo a Igreja era muito criativa, ainda, nos últimos anos houve uma certa romanização, a Igreja se tornou um pouco mais uma Igreja Católica Apostólica Romana, com maiúscula. Naquele tempo tinha mais espaço para a criatividade, e este poder celebrar a alegria do Evangelho criativamente, e o que as pessoas criaram, foi o espirito que ensinou, e a gente, simplesmente, no meio disso.

 

Lá na diocese de Registro também, onde são pescadores, gente que planta bananas, no meio daquele povo foi algo muito bonito também. Aquilo que Dom Aparecido fez, Salomão pede um coração de escuta, se você tem um coração de escuta, você escuta muita coisa da sabedoria, de gente que muitas vezes nem sabe ler e escrever, mas descobre o Evangelho de uma maneira que a gente, depois de tantos estudos, não ia chegar ao ponto que estas pessoas chegam de perceber o que Jesus quer dizer. Essa experiência eu fiz muitas vezes, como essas pessoas descobrem, até melhor do que eu, o que Jesus quer dizer.

 

Nas comunidades ribeirinhas de Humaitá, no início era um povo desconfiado, o que dá para entender, pois os ribeirinhos, ao longo do Rio Madeira, as vezes são vistos como gente de segunda categoria pelo pessoal da cidade. Eles desconfiam um pouco do padre, lá a pergunta fundamental é, ele vai batizar o meu filho, ou ele vai dizer, não, você não é casado na Igreja, alguma coisa está errada, você tem que participar mais da comunidade. Às vezes, no início, é um pouco uma relação de medo, mas esses quatro anos nas comunidades ribeirinhas do Amazonas, em que a gente vivia mais no barco do que em terra, era uma experiência única, me deu muita paz no meu coração. A própria paisagem, a vida desacelera, não tem outro jeito, o calor, você tem que desacelerar, senão você fica doente, mas foi uma experiência muito boa. Com as pessoas lá, a maneira de receber a gente, de viver a fé, a gente aprendeu muito.

 

Agora estou aqui na zona Leste, e neste tempo de Covid o povo de rua está aumentando muito, pessoas que vivem na favela foram desempregadas, estão passando por momentos difíceis, e aqui na paróquia é incrível os grupos que se criam para fazer marmitas, sopão, para o povo de rua, e tudo isso espontaneamente. Não é só passar a comida para a pessoa e ir embora, mas encontrar estas pessoas, ouvir a história deles, a gente percebe que estes meses, esta solidariedade, mudou a vida de muitos daqueles que são solidários, eles descobriram uma nova dimensão da sua vida. Isso não parte da gente, isso parte das pessoas que estão aqui, e a gente está simplesmente no meio disso, e percebendo isso, e com muita felicidade, porque isso é realmente a alegria do Evangelho.

 

O senhor tem sido nomeado bispo para a Amazônia, que nos últimos anos ficou no foco da sociedade mundial, mas também da Igreja universal. O que significa a Amazônia, onde o senhor tem sido missionário, na diocese de Humaitá, para o mundo e para a Igreja?


A Amazônia é um lugar disputado, economicamente também, tem minerais e outras coisas. Não tem terra boa para plantar soja, porque a terra é fraca. Na Amazônia, pelo menos lá onde eu vivi, no Amazonas, a terra é uma terra muito fraca, a vida não está na terra, a vida está na copa das árvores, e lá caem as frutas, os bichos mortos, que gera uma camada de terra boa, onde você pode plantar. Você desmatando, você tira aquilo que no futuro vai dar a terra boa para você plantar, destrói aquilo que você quer fazer. Então, em pouco tempo, a gente tem medo que a Amazônia vai virar deserto, pois a terra como tal, sem as copas das árvores, não é fértil, e se você desmatar, tira as copas das árvores, você condena o solo à morte também.

 

É um sinal de um capitalismo insaciável, que simplesmente vem para destruir. Vem para destruir também povos indígenas, quilombolas, que estão lá onde estão os minérios e que estão sendo expulsos das suas terras. Nós acompanhamos nos últimos anos uma militarização da Amazônia também, a gente via garimpeiros, mas eram os pequenos garimpeiros, agora vem as dragas e trabalham destruindo mesmo. Onde eu vou agora, pelo que eu sei, Ji-Paraná não é tanto o rio, é o desmatamento, é muita soja, e não só isso, o governo Bolsonaro liberou muitos agrotóxicos que em outros países são proibidos, porque danificam a natureza e a vida humana também.

 

Esses venenos são jogados com pequenos aviões em grandes campos de soja, os donos desses campos não moram lá, moram na cidade, mas os pequenos agricultores, que moram encravados entre estes venenos em suas casas, em suas plantações, e vão ter dificuldade de sobreviver. Nos rios que existem estão sendo feitas hidroelétricas, que acabam com o espaço de vida dos povos indígenas que vivem lá, eles não encontram mais peixe no rio, e tudo isso tem novos desafios do agronegócio contra a agricultura familiar. Isto é um problema não só naquela região, isto é um problema mundial. Quem garante a alimentação do povo brasileiro não é o agronegócio, o agronegócio produz soja que vai para China, para Estados Unidos, mas quem garante o alimento é a agricultura familiar e lá onde o Movimento Sem Terra começou a plantar.

 

É aí que a Igreja deve se colocar ao lado dos pequenos agricultores. Jesus, quando estava na sinagoga de Nazaré, ele diz que o Espirito do Senhor está sobre mim para proclamar um ano de graça do Senhor. O ano de graça poderíamos dizer que hoje é a reforma agraria, que tudo foi distribuído para a família poder plantar. É mais nesta linha, de estar junto com esse povo, anunciando o Evangelho, tentando se organizar, tentando ser comunidade, e vendo na Eucaristia a graça de Deus, escutando a Palavra de Deus junto, escutando o que Deus diz para nossos tempos, que a gente vai trabalhar lá.

 

No momento, o mundo inteiro está olhando para a Amazônia, tem fortes interesses econômicos aqui, em detrimento da casa comum, em detrimento dos povos tradicionais que vivem naquelas terras, em detrimento, de certa maneira, de toda a humanidade. Porque matando lideranças indígenas velhas, você queima uma biblioteca, porque as vezes, eles não têm nada por escrito, mas eles têm a sabedoria, a tradição oral, e a humanidade precisa dessa tradição, dessa sabedoria. É muito importante para a humanidade toda, e algumas forças da globalização estão lá para destruir. A Igreja católica é uma força global também, e a gente pode pensar em uma outra economia, como o Papa Francisco fez agora, uma economia de Francisco, não do Papa Francisco, mas de São Francisco, de partilha e vida para todos.

 

O senhor fala que na diocese de Ji-Paraná tem mais de mil e cem comunidades. O Papa Francisco insiste muito na importância dos leigos e na Querida Amazônia insiste no grande trabalho que os leigos, especialmente as mulheres, fazem nas comunidades da Amazônia. Como ajudar a potenciar e reconhecer esse grande trabalho que vem sendo feito pelos leigos, especialmente pelas mulheres, e como isso pode ajudar a construir os novos caminhos que o Sínodo para a Amazônia tem como objetivo?


Se tem tantas comunidades é porque tem tantas lideranças, lideranças leigas, muita gente, provavelmente a maioria, lideranças leigas femininas. A minha missão é, em primeiro lugar, reforçar o protagonismo leigo, cuidar também um pouco, porque uns leigos fortes não apagam o nascimento e o crescimento de outros leigos e leigas. Isso a gente vê as vezes, isso não é bom, tem pessoas leigas que são um guarda-chuva que você tem aceso a outras pessoas somente por eles, isto não é bom. Temos que deixar todas as leigas e leigos crescer, procurar novas lideranças e tentar deixar o espaço para eles, e procurar juntos caminhos para ver como esse espaço pode ser maior. Não sou eu, com as minhas ideias, mas são as próprias lideranças leigas também, que junto com a gente, vão pensar isso e fazer propostas.

 

Aquele grupinho de oração que eu falei, quando eu era jovem, que certamente é o berço da minha vocação, foi liderando por duas jovens naquele tempo. Uma me escreveu agora, me dando os parabéns e dizendo que isso era a coroação do nosso grupo de oração daquele tempo, e eu não gostei muito. Essa outra liderança feminina, ela se tornou, em Alemanha existe isso, assistente de pastoral, uma liderança leiga paga pela Igreja católica. Para mim, esta mulher é tão importante como eu mesmo, não tem importância nenhuma se alguém é assistente de pastoral e o outro é bispo. Juntos estamos tentando seguir nosso senhor Jesus Cristo, com a nossa vida, servindo ao Reino de Deus.

 

Eu fiquei um pouquinho triste, dizendo que a gente coroa esse caminho e a outra pessoa não. A pessoa que escreveu isso, ela é assistente social, e eu sei que ela tentou tratar muito bem as pessoas por causa da sua fé. Um outro rapaz tem um filho com deficiência, muito paciente com ele, muito carinhoso, e certamente também inspirado naquilo que nós descobrimos em nosso grupo de oração sobre Jesus Cristo. Esta hierarquia, ela tem que ser revista com o tempo, ela não é só na estrutura da Igreja, ela anda também na nossa própria mente, e isso não é bom.

 

O bispo tem certa autoridade, mas a autoridade entra em campo quando alguém não vive mais fiel a Jesus Cristo, quando a gente não cumpre mais o seu carisma. É nós procurando juntos os novos caminhos, e aí, uma vez que tem pouco clero, nós somos obrigados a procurar esses novos caminhos. Mas não só por causa disso, não é porque vai ter mais clero que esse espaço vai ser reduzido de novo, á algo que faz parte do próprio ser Igreja fiel a Jesus Cristo.

Essa seria a Igreja sinodal, que o Papa Francisco propõe como o jeito de ser Igreja no século XXI. A pandemia, que tem dificultado esse trabalho pastoral e de presença física do padre na vida do povo, pode ter nos ensinado a trabalhar ainda mais essa dimensão da sinodalidade. Diante da realidade que estamos vivendo e olhando para o futuro, como pode ser trabalhada essa sinodalidade na vida da Igreja?

 

A pandemia, ela me levou a não ficar em casa, eu visito muitas casas, nunca fiz tantas visitas como neste tempo da pandemia. Muitas vezes a gente fica no portão da casa, as vezes a gente entra, tem uma necessidade de ser ouvido, muito maior talvez do que em outros tempos. Às vezes a gente não pode chegar na casa, então a gente liga para ver como estão as coisas, e incentiva o povo de Deus a fazer a mesma coisa, a intensificar os laços entre nós. Não é só o padre que tem que fazer isso, todos nós, a gente não pode mais se visitar fisicamente, mas nós temos o WhatsApp para a gente entrar em contato, para se preocupar com o outro, para criar esses laços humanos, que são a base para a sinodalidade, para ir pelo caminho sinodal.

 

Sínodo quer dizer, em primeiro lugar, ouvir, e depois refletir e decidir juntos. Certamente, a pandemia aumentou muito a necessidade de ouvir, e muitas pessoas precisam ser ouvidas, porque estão numa certa solidão e à beira de uma depressão. Este caminho de se ouvir é claro que o clero deve fazer, mas também os próprios leigos e leigas entre si, ouvir um ao outro, descobrir quais são os caminhos e ter coragem de decidir e fazer esse caminho. Este tempo de pandemia nos ensinou a necessidade de ouvir um ao outro. Aqui na arquidiocese de São Paulo, o cardeal nos convocou nesses dias, houve já uma fase de escuta nas comunidades, houve expertos que a partir disso elaboraram algumas coisas, e ele avisou que nós vamos voltar às comunidades e paroquias para ouvir mais uma vez. Esse é o caminho mesmo, é o caminho da sinodalidade, e a pandemia nos ensinou isso, a necessidade de ouvir, e também a alegria de ouvir, de aprender um com o outro.

 

Entrevistando um bispo, ele dizia que para ser padre a gente se forma durante vários anos no seminário, e que ser bispo é uma coisa que vem de repente e aos poucos tem que ir aprendendo ser bispo. O que gostaria que marcasse seu ministério episcopal?


Ser uma pessoa no meio do povo. O vigário geral de Ji-Paraná, me diz que as comunidades de Ji-Paraná, especialmente as comunidades rurais, ficaram muito felizes quando leram no meu currículo que eu visitava de barco as pequenas comunidades ribeirinhas em Humaitá. Aí eu falei, mas a ideia é esta, visitar as pequenas comunidades, estar também lá. Ele riu e disse que só que aqui são mil cento e tantas comunidades. Mas mesmo assim, eu acho que o caminho é esse, a gente estar lá no meio deste povo, caminhar com ele, e o que vai marcar depois, é aquilo que vai surgir a partir desta presença, a partir destas acolhidas, a partir deste se animar um ao outro, e o que nós juntos vamos discernir como vontade de Deus.

 

Eu não posso dizer ainda o que vai ser, mas eu volto ao bispo que me ordenou, a Dom Aparecido, eu quero ser um bispo que vai numa pequena comunidade, talvez agora mais de agricultores, e depois fala na catedral aquilo que esta pequena comunidade rural entendeu sobre o Evangelho. Nesse sentido, caminhar juntos, e isso ser a marca do meu caminho lá. Não é o bispo que define o caminho, acho que somos juntos, também as irmãs que estão lá, os padres que estão lá. Lá tem lideranças leigas muito fortes, Dom Antônio Possamai conseguiu isso, lá não tem só novena do padroeiro, mas eles refletem a Bíblia o ano todo, e tem material para isso. O povo que se reúne em pequenos grupos em volta da Palavra de Deus. Acho que é este o caminho, ir juntos escutando e isto espero que vai marcar o meu caminho.

 

Fonte: Portal das CEBs

 

 

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